A escola dos Bloggers - Capítulo 1

Segunda-feira, dia 21 de dezembro de 2020…

São 9.15h da manhã. A aula já devia ter começado há cerca de 10 minutos na plataforma Zoom, no entanto, ainda nenhum professor chegou. Apenas estamos meia-dúzia de gatos pingados aqui, numa sessão zoom, já que a escola fechou por causa de um surto de Covid em mais de metade da escola.

Está tudo calmo. Ninguém fala, estamos todos calados, nem mesmo no grupo do Menssenger do Facebook. Provavelmente voltaram todos a dormir porque ninguém deve ter percebido que a aula ainda nem começou. Até acho estranho. A Mariana já devia ter percebido que algo não está bem, tendo em conta que geralmente é a aluna mais dedicada…

*Plim*

Ah… aqui está…

Finalmente mandou mensagem para o grupo a perguntar onde está a professora e porque raios está a demorar tanto!

-Olá? Está aí alguém? – ouviu-se uma voz. Mas não uma voz divina… a voz da diretora da escola. – Bem… esta gente deve ter ido dormir outra vez, nem as câmaras ligam… Ora liguem lá as câmaras, se faz favor, sejam bem-educados para com a vossa nova professora!

Ligar a câmara…? Não me parece! E ela disse “nova professora” … Terei eu ouvido bem…?

-Hum… professora… Desculpe, mas porque temos nós uma professora nova? – perguntou Mariana.

-Ora, pelos mesmos motivos que temos um aluno novo na sala, menina Mariana! A vossa professora de Métodos de Abordagem na Blogosfera está infetada, pelo que tem que ser substituída, tal como o Diogo, que também será substituído! Já temos imensos infetados, não são precisos mais. – respondeu-lhe.

-Mas professora, eu estou aqui, eu não fui substituído… Ou pelo menos, é o que eu espero… E já agora, as aulas vão ser online…! O vírus não se transmite assim… - informou Diogo.

-Quem é que está a falar? Bem… não importa! E também não importa se é assim que se transmite ou não. Eu sou a diretora desta escola e eu é que decido se um professor ou um aluno é substituído ou não!

-Ai, desculpem o atraso! - disse Bernardo, que está sempre atrasado. – Perdi alguma coisa importante?

-Sempre o mesmo… - refilou a diretora. – Não vou voltar a repetir, os seus colegas que o atualizem se faz favor. Mas continuando…

-Meninos, meninos! Cheguei. – interrompeu a professora de Métodos de Abordagem na Blogosfera. – Ah, bom dia senhora diretora Francisca, o que está aqui a fazer?

-Então eu mandei-lhe um e-mail! Não o recebeu? Você, por estar de quarentena, vai ser substituída para não transmitir o vírus aos alunos!

-Mas então isso significa que eu estou despedida…?

-Não, a menos que ache que eu tenho motivos para a despedir!

-Não, nem pensar, senhora diretora! Não se preocupe, eu vou já embora que é para não incomodar mais, boas aulas! – despediu-se, desligando a câmara.

-Bom… - continuou a diretora – Como eu estava a dizer…

-Querido, anda para o sofá ver aquela série da Netflix, que a louca da diretora pensa que o vírus se transmite pelo computador e dispensou-me das aulas!

-Oh professora Raquel! Esqueceu-se de desligar o microfone! – informou a diretora enraivecida.

Pouco tempo depois, a professora saiu da sessão e a aula pode continuar, embora já se passassem das nove e meia e apenas tivéssemos mais peia hora de aula.

*Plim* *Plim* *Plim*

As mensagens não paravam de ecoar no telemóvel, mas não me dei ao trabalho de responder. O aluno novo estava completamente perdido. Chama-se Vasco, já tinha ouvido falar do blog dele, até não é mau, bastante bom, arrisco-me a dizer.

-Agora que já não há mais interrupções…, espero eu… Esta é a vossa nova professora: A professora Margarida. Ela irá dizer como vão decorrer as aulas e como será o vosso método de avaliação, já que ela vos vai dar aulas até ao final do ano letivo. – informou a diretora, passando a palavra à nova professora. – E liguem a porcaria das câmaras, é triste falar para nomes!

-Bom dia meninos! Antes de mais, podem tratar-me por professora Guida, Margarida é muito formal e eu quero estar o mais próxima possível dos alunos. Mas bem, falando do que interessa, já estamos muito tarde aqui na aula, por isso, vamos ter que ficar aqui mais tempo do que o previsto e não quero saber se têm aulas a seguir ou não. Vocês estão muito atrasados na matéria e têm que compensar, não faz mal se se atrasarem um pouco nas restantes disciplinas. – alertou-nos com um sorriso na cara.

-Professora e como vai ser o método de avaliação? – indagou Bernardo.

-Ah sim, para já, e tendo em conta que estamos na época de Natal, o vosso trabalho para esta disciplina vai ser um post nos vossos blogs, com este tema! O post terá de ser colocado às onze e cinquenta e nove da noite do dia 24 de dezembro e terão que enviar por e-mail um print das estatísticas dos vossos blogs às onze e cinquenta e nove da noite do dia 25 de dezembro! Quem tiver melhores estatísticas terá melhor nota no fim das aulas.

Todos começaram a discutir que estávamos em cima da data e não dava tempo para planear um bom post de Natal, contudo, nesse momento tudo o que o meu cérebro ouvia era que o meu natal, tal como o de todos os meus colegas, estava arruinado.

*Plim* *Plim*

Olhei o telemóvel desinteressadamente, até ver que todos estavam a falar dos posts que estavam a pensar fazer. Alguns iam fazer life updates, outros, tags de natal, e outros, iam fazer DIY’s e receitas de Natal.

*Plim*

              *O que vais fazer tu? Precisas de ajuda?*, vi que Lili me mandara mensagem em privado e respondi-lhe que ainda não sabia, ao que ela me disse que estava a pensar fazer um post sobre ideias para presentes de natal e que também estava muito preocupada com o aluno novo e que estava a ponderar ajudá-lo no post e, talvez, ceder-lhe apontamentos e datas de outros testes.

              *De facto, ele deve estar muito atarantado com tudo isto, mas dá-lhe tempo para se acostumar.*, e no momento em que lhe envio a mensagem, Lili manda-me um print da conversa entre ela e o aluno novo em que ela lhe pergunta se precisa de ajuda e com todos os apontamentos de todas as disciplinas.

Típico dela, está sempre preocupada com todos na turma é até provável que tenha mandado a mesma mensagem a toda a gente da turma, a perguntar o que iam fazer ao certo e se precisavam de ajuda. Mesmo que se preocupe tanto com todos os outros alunos, ela consegue sempre arranjar forma de tirar boas notas. Um verdadeiro exemplo a seguir, mas mesmo assim, decidi levantar-me e ir à cozinha preparar algo para comer, enquanto a professora continuava a dar matéria.

Entretanto, todos os alunos começavam a preparar o seu post, pois queriam que fosse perfeito, de forma a terem a melhor nota da turma.

Por exemplo, Bernardo começava a escrever de como tem sido o seu ano, sempre em casa e com aulas online. Algo que já tem escrito desde o início da pandemia, contudo, o seu argumento para repetir o post era que se passara mais uma semana e que muita pouca coisa tinha acontecido, pelo que tinha que ser descrito com pormenor para que todos os internautas que partilhassem o seu sofrimento soubessem que não estavam sós.

Já os gémeos Tânia e João decidiram fazer uma Tag de irmãos, simples, mas inteligente da parte deles, já que costumam ser os posts com mais visualizações nesta altura do ano. Por outro lado, Mariana estava a rever o guarda-roupa e a chorar por não ter roupa nova para fazer outfits de Natal e ser obrigada a improvisar com as roupas antigas.

Eu… Bem… Eu estava sossegada, pelo menos, na medida em que já tinha planeado os posts de Natal todos no início do mês e bastava-me publicar, então não estava muito stressada, pois tinha o post perfeito para esse dia.

Quando finalmente regressei ao meu computador, o professor Afonso estava a discutir com a professora substituta, pois estava a ocupar o seu tempo de aula. Contudo, e porque cheguei a meio da discussão, decidi mandar mensagem para o grupo da turma a perguntar o que tinha perdido.

              *O professor entrou e começou a dar a matéria por cima da nova professora e como não sabia da existência dessa nova professora, desligou-lhe o microfone e os dois começaram a discutir.*, descreveu Lili. *Coitado do professor Afonso, ele só quer dar matéria, será que será melhor marcar com ele outra hora para reunirmos?*

              *Nem pensar*, respondeu Tânia. *Eu e o João temos um Workshop de CSS e HTML, não podemos faltar!*

              *Eu concordo! Quanto menos matéria tivermos, melhor, principalmente quando os professores discutem desta forma!*, concordou Maria Madalena.

              *Não me contraries, por favor, eu só não quero é que nós fiquemos prejudicados!*, retaliou Lili.

              *Olhem, agora vão chamar a diretora Francisca… Vai ser bonito vê-la a defender o seu amado.*, informou João.

              *Podem ter calma, por favor? Isto vai resolver-se. Deixem-nos discutir à vontade, que não tem mal nenhum, não se podem matar se estiverem a discutir por videochamada!*, disse Vanessa.

-Ah, finalmente chegou diretora. – começou por falar o professor Afonso, ajeitando os seus óculos. – Desde já, não gosto nada do facto de a professora ter criado uma única sessão zoom para a turma e os professores terem que utilizar todos este mesmo link, é muito confuso, sabe?

-Pois é professor, mas sabe que assim é mais fácil para eu conseguir controlar melhor as turmas, sabe…? – informou após ligar o microfone, tendo-se escutado bastante eco.

-Professora, - chamou Mariana – Você tem que sair da mesma sala que o professor Afonso. Está a dar eco!

-Mas eu não estou na mesma sala que o professor Afonso, Mariana! Nós vivemos a quilómetros de distância, sabe?

-Oh professora, mas nós estamos a ver o reflexo do professor Afonso no espelho atrás de si… - advertiu Bernardo.

-Mas… Você… Hum… Você não sabe que é feio espiar a casa das outras pessoas? Deve ser por isso que vocês não ligam as câmaras: não querem que nós vos espiemos!

-Oh senhora diretora, podemos despachar isto, por favor? Tenho uma aula para dar… - disse a professora Margarida. – Quero dizer… Até nem me importo de dar aula, acho que os alunos é que deviam decidir se querem ou não continuar!

-Sim, sim… Oh meninos, querem continuar a aula ou não? – indagou a diretora.

-Oh professora, eu não me importo de não ter o resto da aula, desde que depois o teste não seja muito difícil nesta parte da matéria…! – respondeu Maria Madalena.

-Pronto, então está resolvido! Professora Margarida, está dispensada, professor Afonso, por favor, continue a sua aula.

E assim tanto a professora substituta como a diretora foram-se embora e o professor Afonso continuou a aula, logo depois de limpar os óculos e os ajeitar.

-Professor… - interrompeu Mariana – Estamos na altura do Natal, não era suposto já nos ter dito o método de avaliação a esta disciplina, que começou há dois meses?

-Ah, é verdade… Façam um trabalho de grupo sobre o que motiva um blogger a escrever e publiquem no blog do representante do grupo até ao dia 31 de dezembro às vinte e três e cinquenta e nove da noite! – ordenou.

-E com quantos alunos, professor?

-No máximo quatro.

-E mínimo de elementos, professor? – questionou Bernardo.

-Oh menino Bernardo, vamos lá ver uma coisa, um grupo tem, no mínimo duas pessoas, não é? Então, o mínimo é dois!

-Então pode ser um grupo de três, professor? – indagou Vanessa.

-Sim, desde que não ultrapassem os quatro elementos!

E a passagem de ano acabou se ser também arruinada por um trabalho. Só resta é saber com quem é que vou ficar no grupo. A Vanessa e o Bernardo, como sempre devem ficar com a Mariana, a Lili deve ficar com a Maria Madalena. Os gémeos também vão ficar juntos, por isso… Resta-me o aluno novo, além do Diogo, que geralmente fica comigo em todos os trabalhos!

*Plim*

E aqui está ele a mandar-me mensagem a perguntar como vamos fazer o trabalho. Lá vou eu criar a sessão zoom, enquanto o professor continua a aula dele.

*Plim*

Desta vez, é a Lili, a perguntar novamente se é necessário ajuda e que se for necessário nos pode ajudar porque não quer que ninguém tenha má nota e que reprove.

*Plim*

Esta terceira mensagem é do Diogo, a perguntar-me se pode ficar comigo no grupo, algo que já devia estar implícito, já que fazemos sempre os trabalhos juntos. Acabei só por não lhe responder e criar um grupo no Menssenger para fazermos o trabalho.

Enquanto isso, o grupo da turma está ao rubro. Todos querem conhecer melhor o aluno novo, embora a maioria das perguntas seja quantos seguidores ele tem nas redes sociais e no blog dele, ou quantas visualizações ele tem por post, em média… Até parece que eles não sabem, ou que não leram no artigo que saiu na Revista “Bloggers do Futuro”.

Enfim, abri o meu blog. E fui ver as estatísticas. Nem por ser época de Natal as consegui fazer subir, e sei que não sou a única. Todos se queixam do mesmo: o mundo atual prefere ver vídeos no YouTube do que “perder tempo” a ler um blog.

Entretanto, os dias foram passando e já é dia 24 de dezembro.

Decidi ir ver os blogs dos meus colegas e ver se algum já tinha publicado algo, ao que fiquei surpresa, pois apenas os gémeos é que tinham publicado a sua Tag. Mais ninguém tinha ainda publicado absolutamente nada.

Como é quinta-feira e dia de consoada, os professores deram-nos uma pseudo-folga e deixaram-nos não ter aula, embora tenhamos de entregar trabalhos de qualquer das formas.

Quando as 12 badaladas do meio-dia chegou, finalmente pude publicar o meu trabalho. Não contei a ninguém o que seria. Não achei necessário, porque iam acabar por ver, ou pelo menos, é o que eu espero. Aproveitei para ir ver a Tag dos gémeos e comentar, já que não me importo de os ajudar a subir no blog deles ou a terem uma boa nota.

Era então altura de começar a trabalhar no trabalho para o professor Afonso. O problema era: afinal o que é que motiva um blogger a escrever? Decidi marcar uma reunião por zoom com os meus colegas para essa mesma tarde.

Quando a hora combinada chegou, abrimos a sessão e, após decidirmos quem ficava como “representante” do grupo, começamos a escrever tudo o que nos vinha à cabeça acerca do que nos motivava. Não eram muitos tópicos, todos concordámos que o que mais nos motiva é quem nos segue fielmente e comenta os nossos posts, não tanto as visualizações, já que muitas vezes acabam por ser falsas visualizações de pessoas que não se interessam pelos posts.

Entretanto no grupo da turma, Bernardo e Vanessa tentavam convencer Mariana a fazer o trabalho de grupo sozinha, pois tinham as suas famílias em casa e tinham que lhes fazer companhia. Provavelmente a veracidade desse argumento é relativa e, embora Mariana não quisesse fazer o trabalho sozinha, acabou por aceitar faze-lo, já que não queria que eles deixassem as suas famílias sem companhia.

Eu não achava justo, e o resto da turma também não, mas se apenas os professores não costumam prestar atenção a isso e, como tal, as notas acabam por ser sempre um pouco injustas.

*Plim* *Plim*

A conversa no grupo já se estava a tornar chata, pelo menos, até que Bernardo teve a brilhantíssima ideia de juntar a turma toda na floresta atrás da escola para celebrarmos o Natal todos juntos, embora com 2 metros de distância uns dos outros e com máscara.

Foi então que recebi mais uma mensagem de Lili, desta vez a perguntar-me se ia ao encontro da turma. Não queria muito sair de casa, contudo, a floresta é grande, não pode correr assim tão mal quanto isso. Então disse-lhe que sim, que ia, ao qual ela me lembrou para levar roupa quente, pois não queria que nós ficássemos doentes. É uma verdadeira mãe de turma ela!

E, no final da tarde, por volta das 19h, encontrámo-nos todos à entrada da floresta. Todos, exceto Diogo, que ia fazer videochamada connosco pois estava infetado e não nos queria transmitir. Contudo, aquilo que era para ser uma simples reunião de colegas de turma, demonstrou-se no fim como sendo uma festa de escola. Toda a gente estava lá e ninguém cumpria as normas de segurança.

Mantive-me num canto, a observar os meus colegas, algo que já costumo fazer nas festas em tempo normal, já Lili andava de grupo em grupo a distribuir desinfetante e a relembrar todos do distanciamento social, enquanto Maria Madalena a contrariava e ia recolhendo os desinfetantes de todos e substituindo-os por copos de bebida. Bernardo estava ao lado da coluna de som com alguns amigos dele a rir-se e a beber. Os gémeos estavam sentados ao lado de uma árvore ao telemóvel, provavelmente a jogar ou algo do género, parecia que nem se importavam com o que estava a passar a sua volta. E Vasco mantinha-se isolado, tal como eu. Ele não conhece ninguém da escola, então fui ter com ele para que não estivesse sozinho.

Foi então que Mariana chegou ao local a correr.

-A escola está a ser assaltada! – arfou exausta de tanto correr.

-Como assim está a ser assaltada? – indagou Diogo que estava em videochamada comigo.

-Estava farta da festa, então fui estudar para a escola, já que lá não se ouve a música, que está aos berros. Entrei pela janela da cozinha, que está estragada e ainda ninguém reparou e quando entrei lá, estava tudo calmo e de repente comecei a ouvir passos nos corredores. Fui ver o que se passava e vi sombras a passarem muito rápido e depois ouvi portas a bater! – explicou assustada.

-Vamos ver o que se passa! Às tantas é só um funcionário que ficou a desinfetar a escola até tarde, nada de especial! – disse Maria Madalena.

Dirigimo-nos então à escola, para averiguar o que se passava, mas estava tudo calmo. As luzes dos corredores estavam desligadas, pelo que tínhamos que usar as lanternas do telemóvel para ver o que quer que fosse, as portas das salas estavam fechadas, mas não à chave, como de costume, e não se via uma única alma viva além de nós.

-Que porta ouviste a bater, Mariana? – indagou Diogo.

-A da sala de teatro! O que é estranho, não sei o que haverá lá para assaltarem!

-Acho melhor chamarmos a polícia… - sugeriu Lili. – Ou então vamos todos para casa, para não arranjarmos problemas por estarmos na escola quando esta está fechada!

Nesse momento, começamos a ouvir vozes e algo caiu no chão. Parecia vidro, talvez um copo, ou um espelho e, de facto, os sons vinham da sala de teatro. Aproximamo-nos lentamente e verificamos que as luzes estavam ligadas. Começávamos a ficar preocupados com o que se estava a passar e Diogo pediu-me para virar a câmara ao contrário para poder ver o que se estava a passar.

Cautelosamente, abrimos a porta, tentando não fazer muito barulho e ficamos chocados quando vimos a diretora Francisca vestida de mãe Natal e o professor Afonso vestido de elfo, enquanto dançavam agarradinhos um a outro.

Pensávamos nós que estávamos sozinhos com os professores da escola quando o senhor Fernando, o funcionário da escola nos perguntou o que fazíamos ali, assustando-nos e denunciando a nossa presença. Claramente que os professores não ficaram contentes connosco por estarmos ali, pelo que nos indagaram acerca do motivo de termos ido à escola quando esta está fechada e estamos em tempo de pandemia.

-Eu vim estudar para aqui professor Afonso. Não há barulho e estava isolada de vírus! – justificou-se Mariana.

-Ai sim? E como é que entrou aqui, menina Mariana? – questionou a diretora.

-Então! Vocês nunca mais percebem que têm a janela da cozinha estragada… Qualquer dia ainda somos assaltados por causa disso!

-E os restantes? O que fazem aqui? Não sabem que a escola está fechada?

Todos ficamos a olhar uns para os outros. Não queríamos denunciar o facto de estar a haver uma festa na floresta atrás da escola e também não nos lembrávamos de mais nenhuma desculpa plausível para ali estarmos. O silêncio reinou a sala e quando o João estava quase a falar, Bernardo entrou na sala:

-O que fazem aqui? Estão a perder a festa lá fora! – informou alegremente, não se apercebendo que estávamos na presença de professores.

-Uma festa? – disse a diretora furiosa. – Vocês estão malucos? Parecem crianças de 5 anos!

-Têm noção que vou ter que vos penalizar a nota dos trabalhos por causa disto, certo? – confirmou o professor Afonso.

-Mas os professores também estão aqui e não deviam! – relembrou Vasco.

Contudo, os professores ignoraram esse facto e, indecisos com o nosso castigo, o senhor Fernando sugeriu que o ajudássemos a limpar e desinfetar a escola de uma ponta à outra, mesmo que passássemos o resto da noite ali.

E foi assim que passamos a noite de Natal a limpar a escola, uma prenda de última hora, provocada pela inocência de um bando de alunos que não pensaram muito nas consequências dos seus atos.

Se não querem acabar como nós, fiquem em casa este Natal! 


Em parceria com: Lili

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